18 de novembro de 2009

E pensando em conquistar...

Há formas e formas de se investir em uma garota.
Tem um amigo meu que é super amigo de uma outra amiga minha. Eles não se separam. Os amigos que andam com eles podem mudar com o tempo, os lugares e as piadas podem mudar, mas eles dois sempre estão lá juntos. Eu mesmo já brinquei dizendo a ela que quem estará ao seu lado quando ela for velha não será o marido, será ele... É claro que minha mente malévola não conseguiria conceber tão firme amizade sem nenhum interesse da parte do amigo, e acabei conseguindo obter uma confissão que, claro, tinha como requisito o segredo. Ele se aproximou e esta bela e longa amizade, que já deve durar uma dezena de anos, teve origem no interesse de um menino por uma menina.
Para clarear as idéias, devo mencionar que creio que todo mundo é interesseiro, onde estou alargando o sentido para o abstrato além do concreto. Uma amizade entre um homem e uma mulher é um evento, portanto, que não escapa desta conjectura, e como sou do sexo masculino, não conseguiria pensar nos motivos da minha amiga.
Eu nunca vi a aproximação e o "fazer amizade" como uma boa alternativa de conquista de uma mulher e isto nunca fez o meu feitio, mas estou sendo forçado a considerar tal opção nas coisas que meus olhos têm visto. Grosseiramente falando, trago situações na cuca que descrevem aplicação da manobra.
Para evitar falar pelos cotovelos, se já não o fiz, vou encerrar por aqui. Levanto a bola pra depois eu mesmo refletir melhor a respeito de amizade entre homem e mulher (que divide a opinião de muitos amigos meus) e sobre esta forma de conquistar uma boa companheira.
Como meu blog permanece pouco visitado, creio que continuo um homem de palavra.

16 de outubro de 2009

O Homem de Lugar Nenhum

Ele andava cabisbaixo, balançando a cabeça suavemente. Pra um lado. Pra o outro. Seus braços pendiam ao longo de seu corpo, largados, sem vida. Suas pernas se arrastavam, carregando o peso do corpo numa tentativa quase inútil de chegar a algum lugar. Elas não aguentariam muito.
As roupas do homem, amarrotadas, sujas, rasgadas não pareciam com qualquer roupa que já houvesse sido produzido por um artesão de região alguma. Mas o sangue. O sangue manchando o lado esquerdo do da roupa. Aquilo era o mesmo sangue em qualquer lugar do mundo.
Ele parou alguns segundos, encostou-se na parede e apagou.

21 de setembro de 2009

Propriedades mecanicas da nata do leite desidratada

Problemas de amassamento têm recebido bastante atenção nos últimos anos, pois as estruturas amassadas possuem propriedades bastante peculiares, com características de sistemas fractais. Diversas dessas estruturas têm sido estudadas, como o processo de empacotamento de fios em cavidades bidimensionais e tambêm de superfícies e fios amassados formando estruturas no espaço tridimensional.
Um sistema estudado recentemente e alvo deste nosso trabalho é a camada que se forma na interface ar-leite, conhecida popularmente como nata. Esta camada é uma membrana fina com espessura aproximada de 80 micrômetros, composta de material de origem biológica bastante heterogênea, apresentando diversos componentes como lipídios, carboidratos, proteínas, sais
minerais, vitaminas e água, além de muitos outros.
O processo de obtenção da nata envolve o aquecimento do leite até que este atinja o ponto de fervura. A camada de nata, cujo diâmetro médio nesses experimentos é de 28cm, forma-se espontaneamente na superfície do leite à medida que a temperatura diminui. Após a consolidação dessa película, a mesma é retirada com o auxílio de um arame curvo tomando-se o cuidado para que não se rompa. Já neste estágio de recolhimento ela sofre um processo de empacotamento espontâneo sob ação de seu próprio peso e que continua quando ela é depositada em recipientes cilíndricos, tornando-se uma estrutura amassada com dimensão de contagem por caixas D = 2,38. As amostras cilíndricas assim obtidas foram testadas após o período de um mês para desidratação à temperatura ambiente.
Neste trabalho fazemos um estudo experimental da resposta desses cilindros de nata desidratada à compressão, levantando, em particular, a curva stress-strain. Estudamos o comportamento de diversas variáveis tais como o comprimento da amostra nas direções normal e paralela à força, assim como a razão de Poisson e a dependência da densidade
com a força de compressão e a deformação provocada no sistema.

11 de setembro de 2009

Pedido Adolescente

Meu amigo simplesmente veio e disse:
-- Não se apaixone por mim...
Me deixando completamente louca por ele.

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Eu já li isto em algum lugar...
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30 de agosto de 2009

A Fábula dos Corações

Natasha é conhecida por muita gente aqui na minha terra, mas quase ninguém sabe como sua história começou. Ela era uma menina meiga, delicada e suave e, de repente, se transformou numa devoradora de corações.
O primeiro caso foi o garoto Assis, filho do padeiro. Ele nem prestava muita atenção nela, mas Natasha o chamou certo dia e, a partir de então, ele começou a cair nos feitiços dela e não mais conseguia desviar do seu olhar hipnótico. Uma dia ele retirou o coração do peito e ofereceu a ela, mas ela confusa resolveu que não seria assim. Pegou o coração do garoto com as mãos, mas como ainda estava incerta do que fazer e não tinha experiência com "a arte", guardou-o na gaveta do criado mudo; assim ficou o coração de Assis por muito tempo, porque mesmo depois de ter experiência, ela não mais olhava para o criado mudo, para não lembrar mais do passado.
Quando Natasha começou a frequentar os bares, logo chamou a atenção de Henrique. Este estava passando por um momento decisivo na sua vida: tinha o coração tomado por uma vontade louca de se tornar um devorador de corações, mas ainda tinha dúvidas devido à alta estima que tinha com a provável primeira vítima. Natasha não respeitou qualquer história, deu uma olhada sensacional no rapaz e percebeu quando chegou a dosagem certa, depois se foi, aguardando a inevitável perseguição do garoto. Quando ele veio, ela sabia que ele poderia ser um páreo duro, então enfiou-lhe a mão no peito e puxou seu coração com toda a força, deixando o cara absorto por um mês. Este foi o primeiro coração que ela se livrou por definitivo, lançando aos céus para que as estrelas o consumisse com fogo.
Na vida de um devorador de corações não deve haver apego nenhum a nenhuma das vítimas. Geralmente o início, quando se descobre "a arte", é muito sonoro e todos tomam conhecimento quando a pessoa se torna um devorador de corações, e isto pode se tornar um problema. As pessoas, no entanto, são teimosas e querem porque querem "mudar" um devorador de corações, só porque já ouviram dizer que isto é possível. Isto é possível, mas não depende de ninguém, trata-se apenas de um estágio na vida de um devorador, quando sua sede desesperada cessa e ele torna-se calmo e calculista, ganha a capacidade de amar.
Ricardo era um desses. Natasha o encontrou quase que por acaso e tentou enfeitiça-lo, mas ele era realmente demais para ela. Pouco a pouco ele foi percebendo a força que Natasha tinha e como poderia ela ser uma boa menina, já que tinha muito da pessoa meiga e suave de outros tempos. Ele a foi envolvendo num encanto quase que impossível de existir, digno de um experiente devorador, mas repleto de boas intenções. Ricardo consegue lhe atravessar a mão no peito e toca seu coração, conjurando então o feitiço mais forte já conhecido por um devorador.
O grande problema é o passado. E um grande devorador traz consigo grandes inimigos, no mínimo o número de corações devorados. Renata era uma menina dessas, havia tido seu coração dilacerado por Ricardo a eras atrás. De tocaia, esperou ele começar a conjurar o feitiço, quando ele estava com a mão inteiramente dentro do peito de Natasha, Renata se lançou no casal com grande instinto animal e forçou Ricardo a arrancar o coração de Natasha.
Natasha teve, assim, seu coração restaurado e roubado no mesmo instante. Vaga ainda hoje pelas ruas, aguardando a próxima vítima, brincando com os corações por ai afora. Sua história começou aqui, mas dizem que ela já passou por todo o Norte e está hoje pelas terras do Oeste. Alguns dizem que ela já superou a fase sedenta, outros que ela está voltando para entregar de volta os corações de todos, uns poucos acreditam que ela se foi para sempre. Eu só poderia dizer que, se você encontrar com Natasha algum dia, seja são e lhe dê as costas.

11 de agosto de 2009

Nossas Músicas (e o Dia do Corno)

Uma postagem sobre o próprio blog!
Chegamos à conclusão de que um de nossos marcadores não é necessário e o estamos eliminando. Bem, isto não é motivo digno para se escrever, a questão é que achei que as músicas (marcador eliminado) postadas neste blog até esta data deveriam estar disponíveis para que não se leia apenas a letra, mas sim escute toda a obra. Assim, no 4shared os interessados a ouví-las as encontram imediatamente.
Às vezes o danado do compositor conseguiu contemplar em sua canção aquele sentimento ou idéia que estamos dando tanta atenção agora. Ele foi capaz de dizer algo que apenas a canção em si encerra tudo e muitas vezes diz até mais do que o que imaginamos inicialmente. Ou somente estamos com esta música na cabeça e gostamos (ou não) dela. A idéia é a participação que a música tem em nossa mente, seja como distração seja como devaneio intectual, sentimental.
Clique no nome da música e irás à postagem (apenas a letra das músicas), embaixo está o endereço no 4shared (onde não há necessidade de baixar a música se só quizer ouví-las):


Desculpa a qualidade que não é suprema, mas isto se pode resolver depois. Agradeço a atenção, e adoro seus comentários. Encerro com mais uma música:

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-"Ninguém, nem homem nem mulher,
[poderá esquecer o dia de hoje"
Hoje é o dia do corno foi bom te encontrar

Vamos tomar um bom porre pra comemorar
A mulher que você ama eu amo também
Pelo que eu sei ela já enganou mais de cem...
Até um galã de novela que dela gostou
Tornou-se um pobre coitado que ela arrasou
Contigo: fez gato e sapato do teu coração
Comigo: deixou-me de quatro me arrastando no chão...
Hoje é um dia pra gente jamais esquecer
Vamos unir nossas dores chorar e beber
Vamos tomar um bom porre pra comemorar
Hoje é o dia do corno foi bom te encontrar...
Mas homem adora mentir e enganar a mulher

Homem adora trair mas a quer bem fiel
Então tem que levar o troco, ele tem que pagar
Sofrendo, chorando e bebendo na mesa de um bar...
Hoje é um dia pra gente jamais esquecer

Vamos unir nossas dores chorar e beber
Vamos tomar um bom porre pra comemorar
Hoje é o dia do corno foi bom te encontrar...
Hoje é um dia pra gente jamais esquecer
Vamos unir nossas dores chorar e beber
Vamos tomar um bom porre pra comemorar
Hoje é o dia do corno foi bom te encontrar...
-"Prazer Bicho! Muito Prazer! Prazer Imenso!"
(O Dia do Corno - Reginaldo Rossi )
4Shared

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10 de agosto de 2009

O homem que comprava relógios

A aula já havia acabado havia algum tempo. Eles estavam ali, falando uma coisa ou outra entre os vários silêncios que preenchiam o tempo entre um fim e qualquer coisa que ainda não aconteceu.

Todos ali se conheciam, apesar de um ser professor e os outros alunos, havia alguma coisa entre eles que os tornavam mais que meros conhecidos. Tanto que a aula já havia acabado havia algum tempo e eles permaneciam lá pelo simples fato de que ir embora significava voltar ao mundo, às obrigações, a tudo aquilo que não fosse o que estava acontecendo agora.
O único que realmente precisava ir embora era o próprio professor, afinal de contas ele tinha um compromisso e não podia se atrasar. Mas outro compromisso o prendia aquele local, um novo aluno pra suas aulas, o homem que eles esperavam.

Ele chegou muito depois do horário marcado. Um homem bem arrumado, com um pouco de suor na camisa ensacada, um sapato combinando com o cinto e nenhum sorriso no rosto. Os outros alunos sentavam-se espalhados pela sala fazendo qualquer coisa, um mais intrometido sentava uma cadeira perto dos dois, o homem e o professor, e não escondia o interesse na conversa.

Havia um imenso contraste entre os dois.
O professor possuia a voz mais calma, mais lenta e mais grave, a voz de uma pessoa determinada. Sentava ereto, mas sem parecer orgulhoso, passava confiança. Seus gestos eram firmes e suaves.
O homem falava rápido, como se quisesse terminar logo de falar antes que acabasse falando algo desnecessário, sua voz era aguda e seus olhos se moviam inquietos de um lado a outro. Parecia ser um homem bastante metódico e objetivo, sem tempo para perder com trivialidades. Suas mãos eram inquietas e tremiam, seus dias pareciam ser bastante estressantes.

Eles conversaram durante algum tempo tentando definir qual seria o horário das aulas, nenhum dos dois tinha muito tempo livre. E foi o estranho quem deu a sugestão que ficou determinada. As aulas seriam particulares e ocorreriam na casa dele, ou seja, ele não frequentaria as aulas com o resto da turma, não tinha tempo. O professor lhe perguntou onde era sua casa. Suas mãos trêmulas deslizaram até seu bolso traseiro e voltaram trazendo sua carteira. Ele a abriu e tirou um cartão. Ele era um homem de cartões.
O cartão foi entregue com um endereço escrito na parte branca de trás que todos os cartões têm. Com tudo já resolvido o homem se levantou e foi logo saindo, dispensando qualquer cortesia que tivesse sido oferecida ele sumiu escada abaixo.

E com o homem foi-se a única coisa que mantinha o grupo unido até aquele momento. Olhando o relógio viram o avançado da hora e com a mesma preça na qual o homem havia partido eles despediram-se e tomaram cada um seu rumo.

7 de agosto de 2009

ufa

Era uma vez um menino que fazia um texto.
Era uma vez uma internet que cai.
Era uma vez um texto que se apaga.
Era uma vez uma coisa que chamam raiva.
Era uma vez um cansaço.
Era uma vez uma idéia.
Era uma vez um programador inteligente.
Era uma vez uma opção para salvar rascunhos.
Era uma vez um alívio.

Adoro o salvamento automático desse troço!!!

24 de julho de 2009

O Paradoxo da Bruxa

Conheci uma bruxa muito triste e infortunada, que saia vagando por entre as árvores do bosque e às vezes por suas copas, saltitando. Certo dia consegui falar com ela e perguntei-lhe do motivo de tamanha tristeza que levava consigo. Ela, então, atenciosamente, me contou sua história.

Uma vez durante sua juventude ela resolveu enfeitiçar um rapaz e para tanto precisava de um objeto que o representasse, que fosse dele e que ele gostasse muito. Sua mestra em feitiçaria sugeriu que obtivesse algo que ele fosse muito apegado, e sua mestra em poções sugeriu que pegasse um pedaço de algo que fosse do corpo dele. A jovem bruxa resolveu então pegar uma peça íntima, que ele certamente sentiria falta e que não estivesse limpa, para que tivesse a essência da vítima.

Não lhe faltaram avisos: "quando uma bruxa faz o feitiço, volta-lhe o efeito em triplo", "se der errado, a intenção ainda valerá e você pagará pela natureza do feitiço"... A pequena bruxa estava resoluta e não queria mais esperar. Na décima noite de Outubro, antes da Lua cheia da Deusa, ela invocou forças que se contrapunham a natureza e rougou ao garoto sua maldição tão desejada.

Estas coisas não acontecem de uma hora para outra, se passa algum tempo para que o feitiço "pegue". Ela esperou dia-a-dia para ver o garoto infortunado. Os seus dias, enquanto esperava, ficaram cada vez mais nebulosos e tristes, enquanto os dias do rapaz eram cada vez mais alegres e esbanjavam juventude.

"Por quê?"

Sua mestra em ciências naturais perguntou-lhe: "qual o objeto usado no feitiço?", e ela respondeu meio sem graça, "uma peça íntima". A mestra realmente não entendeu o caso e invocou o poder daqueles objetos místicos que falam de maneira oculta e que ninguém nunca entende; este respondeu com versos:

Achado, Roubado, Perdido
Tirado, Tomado, Deixado
Se o dono foi trocado
O atual será ferido.
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11 de julho de 2009

Entre Perguntas e Respostas

menino da floresta
: Quem tem resposta para suas perguntas?

menina da neve: como você pode ouvir as respostas, se está sempre perguntando?

(...)